Bem vinda Alice! Relato de um parto sofrido…

A minha Alice, a minha doce Alice nasceu! Dia 7 de junho as 19h15 no Hospital de Santa Maria em Lisboa. E eu não podia estar mais feliz 😍

Tive que esperar uns dias para me recompor. Mas acima de tudo tive que esperar uns dias para conseguir falar do parto sem reviver todas as dores.

Uma gravidez aparentemente tranquila não fosse a hiperemese. 37 semanas e nada da Alice querer nascer…38…39…40! E ainda bem que assim foi.

Voltando um pouco atrás…sabendo eu que não posso levar epidural devido a um problema prévio numa raquianestesia, quis escolher um hospital onde o alívio da dor fosse não farmacológico. Escolhi o Hospital Beatriz Ângelo. Lembram-se que tenho uma doença de coagulação chamada Doença de Von Willebrand? Pois bem, o HBA recusou receber-me.

Tentei então Vila Franca de Xira que inclusive já tinha feito partos a mulheres com o meu problema. Também fui recusada lá.

Desde abril deste ano devido aos cortes na saúde só existe equipa e medicação adequada ao meu problema em hospitais centrais: São João, Universitário de Coimbra, Sta Maria e São José.

Então teria que ir para Santa Maria. Chorei imenso, não queria. É um hospital velho, nada adaptado ao controle de dor sem drogas. Até que em determinado momento baixei os braços e entreguei ao destino.

Dia 5 de junho tive às 40s1d consulta com a chefe de serviço de alto risco do Sta Maria. Adorei. Cinco estrelas. Tal como todos os profissionais por quem passei quando fui lá às urgências. Nunca duvidei da equipa médica, enfermeiros ou auxiliares. Mas as condições físicas não são as melhores.

Ficou decidido que caso a Alice não nascesse dia 10 iria ser induzido o parto.

Dia 6 o meu jantar foi 1kg de nêsperas. Eram 23h quando me levanto da mesa e senti uma dor absurda. Arrumei a cozinha. Fui responder aos e-mails todos para não ficar nada pendente. Já estava com contrações de 10 em 10 min. Eram 3h da manhã quando acordo o meu marido e digo: bora pro hospital! A Alice vai nascer.

Chego lá e zero dilatação. Mandaram-me para casa. Banhos, andar, bola de pilates…e eu a ganir de dores com um CTG com zero contrações.

No mesmo dia 6 às 11h estava cada vez pior. Vou novamente à urgência. CTG sem contrações registadas. Digo à médica para meter a mão na minha barriga e ela percebe que eu estava a ter contrações. Mudamos o aparelho. A Alice entra em esforço cardíaco. Gera-se o pânico em todos.

Eram 16h quando me decidem internar. O meu marido pode estar comigo até às 20h. A partir daí eu tinha cada vez mais dores. Nada fazia efeito. O CTG só servia para ver o ritmo cardíaco da Alice.

Pelas 00h do dia 7 chamam a chefe de serviço do bloco de partos que diz: Vamos subir! Você tem contrações circulares, está em trabalho de parto e já com alguma dilatação.

Finalmente ela ia nascer!…engano meu. Subi e daí até nascer foram 19h longas horas. Eu sem anestesia, ligada à petidina (um opiáceo com morfina), passei 19h a ganir de dor. Eu delirei, tive espasmos, vomitei…sei lá eu o que me aconteceu.

O meu marido foi chamado à meia noite para estar comigo. Ficou 19h num banco de madeira. Nunca o mandaram sair, esteve sempre ao meu lado. As condições não eram as melhores mas ele estar ali fez-me aguentar firme todo aquele tempo.

Eram 17h40 quando ao ser avaliada começa tudo a vestir batas, uma correria doida. Tinha 4 obstetras, 5 enfermeiras e 2 anestesistas na box comigo. 1h30 a tentar que a Alice saisse e nada.

Eram 19h10…lembro-me de cada minuto porque olhava para o relógio para me abstrair da dor…quando a médica me diz: Rita a Alice está a olhar para as estrelas.

Em milésimos de segundo revi uma aula do curso pré-parto e uma frase da enfermeira que deu a aula: a única maneira que um bebé não pode nascer de parto normal é a olhar para as estrelas.

O meu olhar disse tudo. A médica percebeu que eu sabia exatamente o que estava a acontecer. Tentou virar a Alice sem sucesso. Não havia hipótese. Ela tinha que sair assim.

A médica olhou novamente e disse que tinha que tirar a Alice rápido e com forceps. Perguntou se eu autorizava a episiotomia. Só me lembro de dizer que sim a tudo e pensar que tinha que ser rápido.

E foi. Aquela momento foi tão rápido que eu nem senti dor. Disseram ao meu marido para me agarrar na mão e olhar para mim. Ia doer e eu ia precisar dele.

Em segundos cortaram-me, enfiaram os fórceps e puxaram a Alice.

Eram 19h15 quando ela chorou. Meteram-na na minha barriga e por mais anos que viva não esqueço o olhar dela. Olho aberto procurava por algo. Olhava para mim e para o pai.

Eu chorava, o pai chorava.

Eram 19h20 quando a levam e o pai vai com ela. A mim adormecem-me para me suturar.

Às 22h acordo. A primeira imagem que vejo é o meu marido com a Alice ao colo.

Nesse momento sou informada que levo para casa uma coleção valente de pontos. Além da episiotomia ainda lacerei por mim, algo rarissimo. Perdi muito sangue. Em 1800 teria morrido no parto. Em 2018 menos de 48h depois estava em casa com alta hospitalar.

Bem vinda Alice! Podem ver fotos e seguir as aventuras destes primeiros dias no instagram @ritamnunes

Anúncios

A César o que é de César…neste caso a Pedro o que é de Pedro!

 

Esta é a única coisa do Sporting que vai passar aqui no blog…só para esclarecer!

E partilho por ser a pessoa que é! Este rapazito Ribatejano de Coruche é o melhor especialista em recuperação neuro-muscular de Portugal. Ele que tal como eu nunca aceita um não ou que as coisas são impossíveis de se conseguir.

Em 2015 quando cheguei ao consultório dele no Dramático de Cascais vivia diariamente com dor, tinha problemas de locomoção e tanta limitação física que começa a acreditar num diagnóstico que me tinham dado: com o tempo ia deixar de andar!

Lembro-me de todos os momentos que passámos juntos, de todas as dores, de todos os dramas, de todos os “não aguento mais”. Lembro-me de todas as vezes que quis desistir e ele não me deixou. Lembro-me acima de tudo do momento em que eu dizia não consigo e ele ao invés de gritar comigo como muitos terapeutas fazem por achar que é manha, simplesmente olhava para mim e dizia: amanhã tentamos outra vez. E aos poucos, passo a passo, com calma, com certezas e sem dramas amanhã conseguia mais um pouco e assim íamos evoluindo.

Foram 2 anos muito intensos. Semanas seguidas em que estávamos juntos 2 e 3 vezes. Fazia a A5 em modo automático.

Em junho tive que parar. Teve de ser! O meu corpo não conseguia mais. Precisava de férias. Entretanto a Alice apareceu e aí não dava mesmo para continuar. E eu comecei a pensar que ia regredir, que ia perder tudo o que tinha conquistado. Mas confiei nele e no trabalho dele e aos 7 meses de gravidez estou sem dores. Consigo andar. Consigo carregar a Alice em cima de uma anca que é tão desajeitada que já foi caso de estudo nos EUA.

E à pergunta “como é possível ela andar?” que tanta gente faz ao ver o TAC da minha anca a resposta está nesta pessoa. Que de terapeuta passou a amigo e que me aturou infindáveis horas a acreditar juntamente comigo que o impossível é um limite da mente de alguns que não conseguem ver fora da caixa!

Somos (mesmo) o que comemos!

Quando decidi mudar de vida foi porque as dores na anca eram tantas que precisava perder peso e ganhar massa muscular.

Nunca me imaginei a ser saudavelzinha. E a verdade é que não sou. Grávida como o que me apetece. Mas como comida de verdade!

E o resultado está aqui:

O médico e qualquer pessoa a quem mostre os resultados do famoso teste da glicose que todas as grávidas são submetidas em modo de tortura não só foi “negativo” para a diabetes gestacional como claramente indica que o meu pâncreas sabe bem o que faz.

O médico ficou atónito. No grupo de mães onde estou no facebook até questionaram se seria normal.

Sim, é normal. É excelente e posso comer doces em barda estando grávida. #invejosas

E a verdade é que eu que nunca gostei de doces, mas grávida dá-me cada vontade que não imaginam.

Continuo com menos peso do que antes de estar grávida. A Alice está bem e recomenda-se. E seguimos felizes nesta caminhada rumo aos 9 meses, ou em linguagem de grávida, 40 semanas.

It’s a girl!!


Vem aí uma Alice 💖

E a forma como descobri foi muito especial. Desde os tempos de Brasil que sempre quis fazer um chá revelação. O meu núcleo familiar somos mulheres. Lógico que entraram logo na onda e tema da festa.

No passado domingo reunimos a família e amigos. Foram 140 pessoas no total. Nunca imaginei que fosse tanta gente, juro!

E perante todos revelamos o que seria. Mas ao contrário do que todos imaginavam nem eu nem o pai da criança sabíamos. Só sabia a minha irmã. E nós achamos sempre que ia ser menino. A surpresa foi total.

Fizemos um vídeo profissional da festa que depois prometo publicar. Ainda vai demorar um tempinho a editar. Dizem os amigos que a nossa cara foi de surpresa tal que parecia que tinhamos descoberto ali serem gémeos ou algo assim.

A 7 de novembro fiz o exame de sexagem fetal. A dia 19 a minha irmã foi levantar. E durante todo este tempo ela guardou heroicamente o segredo. Tentaram saber de todas as formas, incluindo eu, mas ela nunca se descaiu. E conseguiu ainda confundir os pais…

Foi um momento único. Chorei imenso! Num misto de alegria e surpresa.

E no mesmo momento anunciamos quem seriam os padrinhos endereçando-lhe uma carta muito especial…

Von Willebrand 

O meu ano mudou a 13 de julho. 3 dias depois de fazer 30 anos, estava ainda em clima de festa, quando no consultório da hematologista ouvi que tinha doença de Von Willebrand. Mais informação clicando aqui.

Sobre ela sabia zero. Tinha tentado interpretar os resultados das análises mas sem sucesso. O dr google havia sido inconclusivo.

Primeiro foi importante perceber o que era e o que ia mudar na minha vida. Mais importante que a doença em si foi tratar uma profunda anemia de ferro. Ter cuidado com cortes e cirurgias.  E viver como até aqui. 

No entretanto fiquei grávida. Não foi um acidente. Sei bem o que fiz.  Mas não foi planeado.  Simplesmente aconteceu. A gravidez ajuda nestes casos devido à hipercoagulação. Como tenho problemas a coagular o bebé veio normalizar as coisas.

Tive algumas perdas de sangue.  Seis no total. Todas minhas. A primeira foi um susto. As restantes já sabia interpretar os sinais e como me disse o meu obstetra em tom de brincadeira já estava profissional. 

Sangue. Caminhar. Contar os minutos.  Se aumentar hospital. Se diminuir registrar. Se não parar em 8h hospital. Se parar registar. Todas pararam e no tempo certo.

Bebé perfeitinho e mãe tranquila.

O parto será outra história. Tem que ser muito bem controlado. Em hospitais com banco de sangue. Mas nada que me apoquente.

Como descobri?

  • Dádiva de sangue em que demorei muito a recuperar. Por estranho que pareça não analisam a coagulação nos sangue que damos.  E posso dar sangue que não vai afetar quem recebe. Só a mim.
  • Hemorragia no olho.
  • Nódoas negras enormes, dolorosas e inexplicáveis. 
  • Cansaço extremo.
  • Hemorregias ao me assoar ou tossir.

Acresce a isto que sempre que me cortei com facas ao longo da vida tive sempre que ir ao hospital para fechar. Nunca levei pontos mas sim cola.  Várias vezes me perguntaram se tinha problemas de coagulação.  Em criança fiz mesmo testes de hemofilia a pedido do pediatra mas não deu em nada.